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Da universidade ao maior evento de inovação da América Latina
"Nossa startup nasceu na universidade por meio de um hackathon organizado pela Secties. A gente ganhou em terceiro lugar, recebeu um fomento de 25 mil reais e transformou essa ideia numa empresa. Hoje estamos aqui, no Web Summit Rio, conversando com pessoas de Londres, do México."
A fala é de João Miguel Santos, um dos CEOs da Mangue Bytes, startup paraibana que desenvolveu uma tecnologia capaz de monitorar manguezais por meio de imagens de satélite, reduzindo a necessidade de pesquisas de campo e ampliando a capacidade de acompanhamento ambiental. Durante o Web Summit Rio 2026, a solução chamou a atenção de investidores, pesquisadores e representantes de instituições de diferentes países.
A Mangue Bytes é uma das 30 startups que o Governo da Paraíba levou ao Riocentro, no Rio de Janeiro, entre os dias 8 e 11 de junho, durante o Web Summit Rio 2026. Com uma delegação formada por empreendedores de diferentes segmentos, a Paraíba foi o único estado brasileiro a garantir a participação de startups com recursos próprios do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior (Secties) e Fundação de Apoio à Pesquisa na Paraíba (Fapesq).
A iniciativa representa uma política que começou em 2025, quando o Estado levou 24 startups para o Web Summit Lisboa. Um ano depois, a presença paraibana ganhou escala, ampliando o número de empresas participantes e garantindo um estande institucional para apresentar soluções desenvolvidas no Estado. O resultado foi uma vitrine para negócios nas áreas de inteligência artificial, saúde, educação, sustentabilidade, economia criativa, agronegócio e transformação digital.
A diversidade das empresas presentes no estande mostrou o ecossistema que a Paraíba vem construindo. Ao lado de soluções voltadas ao monitoramento ambiental e à inteligência artificial, havia espaço para iniciativas que utilizam a cultura como motor de desenvolvimento econômico. É o caso de Maria Livia Cunha, uma das criadoras da SOÉ, startup de impacto cultural que une acessórios inspirados na Paraíba a conteúdo sobre história, saberes e identidade regional.
A startup atua em duas frentes. A primeira é a produção de conteúdo para redes sociais, com abordagem educativa, jornalística e informativa sobre histórias, personagens, saberes e temas que fazem parte da cultura paraibana. A segunda, pela qual a marca é mais conhecida, é a criação de acessórios inspirados na Paraíba, transformando elementos da identidade local em produtos que fortalecem o sentimento de pertencimento.
"Quando a mulher usa o brinco da SOÉ, ela usa a história da Paraíba. A gente muda a forma como ela se relaciona com o território", explica Maria Livia. Para ela, o Web Summit foi mais do que visibilidade, foi uma oportunidade de ampliar horizontes e pensar novos caminhos para o crescimento do negócio. "Faz a gente vislumbrar caminhos para criar algo globalmente relevante a partir da Paraíba. Esperamos estar em Lisboa, claro”, completou.
A Paraíba também teve espaço na programação oficial. No palco CIS (Cúpula de Inovação Corporativa), o secretário da Secties, Claudio Furtado, participou do painel "Nordeste do Brasil: onde governo, talento e tecnologia convergem", ao lado do secretário municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação de Recife, Rafael Cunha. Durante o painel, o secretário apresentou algumas das principais iniciativas que vêm estruturando o ecossistema de inovação da Paraíba.
Entre eles, o CIQUANTA-PB, que tornará a Paraíba o primeiro Estado do Brasil e da América Latina a sediar computadores quânticos; o Parque Tecnológico Horizontes de Inovação; o Parque Tecnológico de Campina Grande; Projeto Limite do Visível, que amplia o acesso de jovens da rede pública ao ensino superior tecnológico; e o Complexo Científico do Sertão, que reúne investimentos em astronomia, arqueologia, paleontologia e turismo científico.
"A Paraíba é o Estado do conhecimento. Temos investido na formação de pessoas, na pesquisa, na inovação e na criação de oportunidades para que nossos jovens e empreendedores possam desenvolver soluções com impacto local e alcance global. destacou o secretário durante o debate”, enfatizou o secretário Claudio Furtado.
Além das startups presentes e o estande, a Paraíba também levou ao evento as empresas Phaser Studio 3D e Novetech, selecionadas pelo Projeto QualiExporta PBsF, Projeto vinculado ao Programa Paraíba Sem Fronteiras, voltada à preparação de empresas para atuar no mercado internacional.
Durante o evento, as empresas participaram de palestras sobre inovação, inteligência artificial e marketing tecnológico, além de encontros com potenciais parceiros e visitas a estandes de instituições como a ApexBrasil e iniciativas governamentais do Chile, China, Áustria, Alemanha e Cabo Verde. As empresas Sede de Design e Plis Lavi, também atendidas pelo projeto, acompanharam a programação com suporte técnico da secretaria.
"Tivemos acesso a conteúdos importantes, ampliamos conexões institucionais e identificamos oportunidades que poderão fortalecer a atuação internacional das empresas paraibanas. São contatos e experiências que ajudam a preparar nossos empreendedores para competir em mercados cada vez mais globais", destacou, João Pedro Batista, Técnico Júnior do QualiExporta.
Se para os empreendedores o evento representa a chance de abrir mercados e construir conexões, para o Estado a participação no Web Summit faz parte de uma estratégia mais ampla de fortalecimento da inovação.
"O saldo da participação da Paraíba foi muito positivo. Tivemos startups realizando conexões importantes, prospectando negócios e apresentando soluções inovadoras para públicos de diferentes países. Além disso, a Paraíba se destacou por ser o único estado brasileiro a apoiar financeiramente a participação de startups no evento. Os resultados já começam a aparecer por meio de parcerias, contatos estratégicos e novas oportunidades para as empresas paraibanas", avaliou Claudio Furtado.