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Laboratório de Reabilitação Oral com Fluxo Digital da UFPB é o primeiro do Nordeste e o quarto do país a reunir tecnologia 100% digital
A Paraíba passou a abrigar uma estrutura rara no Brasil. O Laboratório de Reabilitação Oral com Fluxo Digital, no Centro de Reabilitação e Assistência à Saúde (CRAS) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), coloca a instituição como a primeira do Nordeste e a quarta do país a reunir, em um mesmo ambiente, todo o conjunto de equipamentos necessário para realizar o tratamento de forma totalmente digital. O laboratório foi implantado com o financiamento do Governo da Paraíba, por meio da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior (Secties).
O impacto, no entanto, vai além das paredes da universidade. Segundo o professor Angelo Melo, do Departamento de Odontologia Restauradora da UFPB, a tecnologia já é tema de acordos de cooperação com outras universidades brasileiras. Com isso, a Paraíba passa a ser referência em um modelo de atendimento que ainda é raro no país, além de formar profissionais capacitados para atuar nele.
O projeto se chama “reabilitação oral com o fluxo digital”, e a ideia é que todo o processo, da primeira imagem à prótese pronta, aconteça em ambiente digital. O percurso começa com a tomografia digital. As imagens servem de base para o planejamento do tratamento, e a prótese é produzida em equipamentos de alta precisão, como a fresadora, que trabalha com precisão milimétrica.
De acordo com o secretário Claudio Furtado, um dos principais objetivos é transformar investimento em ciência e tecnologia em benefício concreto para a população. “É um projeto importante do ponto de vista tecnológico e também pelo retorno social, porque faz com que resultados de pesquisa e desenvolvimento cheguem à população por meio da universidade. É um investimento que tem um retorno muito grande para as pessoas, e isso nos alegra”, afirmou.
Uma das principais frentes do laboratório é a formação de profissionais. Segundo o professor Ângelo, o espaço será utilizado por estudantes de todos os níveis da área odontológica: do curso técnico de laboratório à graduação, passando pela pós-graduação, em mestrado e doutorado, inclusive na área de cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial.
A estrutura também abre espaço para a pesquisa. Para Angelo, trata-se de “pesquisa pura, tecnologia pura à disposição da sociedade”. Ele destaca que a UFPB é a primeira universidade do Nordeste, e a quarta do Brasil, a contar com esse conjunto de equipamentos funcionando de forma integrada, e que o apoio do Governo do Estado, por meio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba (Fapesq), foi decisivo para isso. “Sem o olhar da Secretaria e do Governo do Estado para esse projeto, nós não poderíamos exercer o que estamos exercendo hoje”, disse, reiterando a importância da Secties para o impacto que o projeto deve ter na vida dos paraibanos.
A reitora da UFPB, Terezinha Domiciano, destacou que a parceria com o Governo do Estado impacta positivamente desde o curso técnico até a graduação e a pós-graduação. Ela elogiou o trabalho do professor Angelo e da equipe do CRAS e lembrou que o público prioritário do atendimento inclui estudantes de baixa renda, beneficiários de programas de assistência estudantil e servidores e servidoras que não possuem plano de saúde.
“Quando a gente fala de inclusão social, esse é um dos impactos importantes. A universidade tem um número muito grande de alunos em situação de vulnerabilidade social, e isso demonstra o nosso papel e a importância das parcerias”, declarou. A reitora também citou dados divulgados pelo Ministério da Educação segundo os quais a UFPB está entre as universidades federais do país com maior número de estudantes em vulnerabilidade social. Para ela, a Secties é hoje a maior parceira da universidade, seja com equipamentos, bolsas ou apoio a projetos.
Entenda como vai funcionar o projeto:
Em determinadas situações, depois que o paciente é avaliado e tem a indicação para o implante, a prótese pode ser colocada em até 24 horas. O paciente sai do procedimento com o tratamento concluído, num ritmo bem diferente do convencional, que costuma exigir várias etapas ao longo de um período maior.
O fluxo digital elimina etapas do método tradicional, entre elas o uso de materiais que, segundo o professor, costumam causar náusea e ânsia de vômito em muitos pacientes. “Aqui é totalmente digital”, resumiu, destacando que as imagens digitais conduzem todo o processo, do tomógrafo à produção da prótese.
Nesta primeira fase, o público atendido será formado por estudantes da própria universidade em situação de vulnerabilidade socioeconômica, incluindo alunos cotistas, que muitas vezes não têm condições de pagar por tratamentos odontológicos especializados. “Estamos levantando a autoestima desse povo”, afirmou Angelo.