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Paraíba lança primeiro pacto de inovação inspirado em modelo internacional para o Sertão do estado
Existe muita coisa acontecendo no Sertão paraibano que o Brasil ainda não sabe o nome. Projetos, pesquisadores, tecnologias e soluções desenvolvidas a partir do semiárido. É com essa convicção que o Governo do Estado da Paraíba, por meio da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior (Secties), constrói o Pacto de Inovação Sertão+: um compromisso público não para provar que o Sertão pode inovar, mas para ampliar o que ele já inova.
O Pacto se estrutura a partir da chamada quádrupla hélice: uma forma de governança colaborativa que reúne governo, academia, setor produtivo e sociedade civil em torno de um compromisso coletivo. O objetivo é fortalecer o ecossistema de inovação de uma região e garantir continuidade às políticas públicas direcionadas ao seu desenvolvimento.
O modelo foi construído a partir do Complexo Científico do Sertão (CCS) e inspirado no 22@ Barcelona, distrito de inovação da Catalunha referência mundial no tema. A elaboração contou com a parceria da Fundação La Salle Technova Barcelona, por meio de encontros presenciais, missão internacional realizada em Barcelona e workshops on-line.
Para o secretário da Sectes, Claudio Furtado, o Pacto é o resultado de um processo coletivo que já estava em construção desde 2025. “O Pacto de Inovação reúne todos os atores do ecossistema de inovação, ou seja, governo, setor empresarial, academia e sociedade civil, para que cada um contribua na sua área, na sua expertise, e faça com que o Complexo Científico do Sertão seja um motor de desenvolvimento regional para a Paraíba”, afirmou.
Os valores que sustentam o Pacto têm endereço. São quatro municípios – Carrapateira, Aguiar, Sousa e Cajazeiras – como ponto de partida, todos conectados pelo CCS, uma política pública de mais de R$ 80 milhões que coloca o interior da Paraíba no centro do mapa da ciência mundial.
A cooperação entre governo, universidades, empresas e comunidades do Sertão é o que torna esse movimento possível e o que o expande, trazendo as cidades vizinhas ao Complexo Científico como fundamentais no dia a dia do projeto; e também como atrativos para turistas, visitantes e população local.
“A Paraíba possui ativos científicos, culturais e territoriais extraordinários para construir um modelo próprio de desenvolvimento baseado no conhecimento. O objetivo não é replicar Barcelona, mas adaptar experiências internacionais às necessidades e potencialidades locais, criando um ecossistema de inovação autêntico, inclusivo e sustentável para o estado”, explicou Josep M. Piqué, presidente executivo da La Salle Technova Barcelona.
Modelo internacional como referência
Na construção do Pacto Sertão+, surge o “Projeto de Inovação e Desenvolvimento de Adaptação e Transferência de Conhecimento de Modelos Internacionais de Governança para o Ecossistema de Ciência e Tecnologia da Paraíba”, que articula a transferência do modelo de governança junto à La Salle Technova Barcelona a partir do 22@Barcelona.
A parceria, vigente desde abril de 2025, realiza encontros estratégicos periódicos para trocas de informações e experiências relacionadas ao entendimento de como articular e gerenciar um ecossistema de inovação. Em novembro do ano passado, a comitiva da La Salle Technova, composta por Carina Rapetti, Josep M. Piqué e Carlos Olsen, esteve no I Workshop do Pacto, realizado no Parque Tecnológico Horizontes de Inovação.
O encontro fez parte da primeira fase da elaboração do Pacto, na qual foi construída uma visão compartilhada do ecossistema de inovação da Paraíba. Após um mapeamento detalhado dos principais agentes, ativos e atividades distribuídos entre as quatro hélices e o diálogo direto com representantes de cada uma delas, houve a definição de uma visão estratégica norteadora.
O momento também contou com a identificação dos pontos fortes e desafios da região. Esse material guiou as fases seguintes, com reuniões técnicas para a formulação de projetos estruturantes e a definição do modelo de governança.
Ainda no processo de transferência, a equipe técnica da Secties realizou uma missão internacional em Barcelona com o governador à época João Azevêdo e representantes das hélices que compõem o pacto pela inovação.
“A Missão Barcelona teve como principal objetivo promover a troca de conhecimentos e experiências, buscando identificar soluções inovadoras que possam ser adaptadas à realidade local. Espera-se, com isso, fortalecer o projeto em desenvolvimento, ampliar a visão estratégica dos participantes e trazer contribuições concretas”, afirmou Rayssa Alencar, coordenadora geral do Projeto do Pacto.
Durante a visita em Barcelona, a delegação paraibana pôde visitar espaços de referência em eixos como Supercomputação, Arqueologia, Paleontologia, Astronomia e Turismo. Além disso, foram realizadas reuniões entre as equipes técnicas para viabilizar possíveis acordos de cooperação entre a Catalunha e a Paraíba. A missão internacional ocorreu de 23 a 27 de fevereiro.
A formalização do Pacto Sertão+
Todo o trabalho desenvolvido até agora culmina em um evento: o I Simpósio Internacional do Pacto de Inovação no Sertão, nos dias 29, 30 e 31 de julho, no Espaço Casé, em Sousa. Três dias abertos a universidades, governos municipais e estadual, setor produtivo e sociedade civil – as quatro hélices que constroem o Pacto juntas.
“O Simpósio é a formalização desse trabalho. A expectativa é muito boa: teremos palestrantes, representantes de todos os setores e, ao final, a assinatura do documento que é o próprio Pacto, para depois passarmos à fase de aplicação, que vai ditar o desenvolvimento na área de inovação dessa região pelos próximos anos”, explicou o secretário Claudio Furtado.
A escolha de Sousa não é à toa: a cidade compõe a rota turístico-científica do Complexo Científico do Sertão. O local abriga a Bacia do Rio do Peixe, região com o Monumento Natural Vale dos Dinossauros e o Serrote do Letreiro, um importante acervo arqueológico e paleontológico, com a combinação de inscrições rupestres e pegadas fossilizadas de dinossauros.
A programação reúne painéis, palestras, trocas de experiência e networking com especialistas em ciência, tecnologia, empreendedorismo e turismo. As inscrições estão abertas em pactopelosertao.pb.gov.br.
Para Carina Rapetti, especialista em governança de ecossistemas de inovação da La Salle, o trabalho coletivo permite construir oportunidades concretas de desenvolvimento regional. “A inovação territorial acontece quando existe confiança, colaboração e uma governança capaz de conectar ciência, educação, empreendedorismo e impacto social. O Sertão paraibano tem potencial para se tornar uma referência internacional em inovação baseada no território”, finalizou.