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Saberes ancestrais

Cultura, empreendedorismo e resistência são destaques no 6º Festival da Cultura Quilombola

publicado: 27/07/2026 14h55, última modificação: 07/10/2026 14h56
Evento reuniu cerca de vinte comunidades quilombolas de várias regiões da Paraíba
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Cultura, empreendedorismo e resistência foram os destaques do 6º Festival da Cultura Quilombola, que este ano aconteceu na Comunidade Quilombola Cruz na Menina, no município de Dona Inês. O evento reuniu cerca de vinte comunidades quilombolas de várias regiões da Paraíba reafirmando as tradições ancestrais e a união entre os povos que resistem a partir da cultura de seus mestres e mestras, crianças e jovens em suas diversas expressões artísticas.

Realizado pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Cultura e a Secretaria das Mulheres e da Diversidade Humana, em parceria com o Fórum de Turismo Sustentável do Brejo Paraibano, o festival iniciou no dia 20 e teve sua culminância no sábado (25), com uma série de atividades voltadas para valorização da identidade, dos saberes e da produção quilombola, por meio de experiências que fortalecem as tradições ancestrais, o turismo cultural e a economia local.

O secretário de Estado da Cultura, Pedro Santos, afirmou que o festival quilombola conecta, anualmente, a diversidade territorial da Paraíba, quando reúne várias comunidades quilombolas para celebrar sua cultura. “Quero agradecer a todas as pessoas presentes e reafirmar o empenho do governo estadual com a diversidade étnica da nossa Paraíba ao realizar os festivais cigano, quilombola e indígena, ao publicar editais de fomento e incentivos voltados para os povos ancestrais. É um compromisso nosso permanecer alinhados para que a gente fortaleça esse evento, que ele possa ser espelho, para que as comunidades possam se identificar com este ambiente de promoção cultural e que possa ser também um retrovisor para que a memória e a história estejam cada vez mais presentes e as novas gerações possam se apropriar e se apropriar criticamente dessa história”, destacou o gestor.

Já a secretária de Estado das Mulheres e da Diversidade Humana, Vanda Menezes, ressaltou a importância do evento que celebra a identidade, a história e as tradições dos quilombos. Segundo ela, o festival representa espaço de encontro, troca de saberes e fortalecimento das políticas públicas voltadas às comunidades quilombolas. “É com muita alegria que construímos a sexta edição do Festival da Cultura Quilombola. Quero saudar e agradecer a Bianca Cristina, anfitriã do Quilombo Cruz da Menina. É um momento de celebração da nossa ancestralidade, da resistência e da nossa riqueza cultural, é também uma oportunidade para reafirmar o compromisso com a promoção da igualdade racial, a valorização das tradições e a garantia de direitos para povos que preservam o patrimônio histórico e cultural no nosso estado”.

Entre as diversas ações realizadas durante toda a semana, houveram oficinas de gastronomia, pife e percussão, de cerâmica, de trança nagô e de capoeira. Além disso, no sábado, o painel “Arranjos Produtivos no Quilombo”, reuniu empreendedoras quilombolas que relataram suas experiências como forma de incentivo para as próximas gerações. O painel foi coordenado pelo presidente do Fórum de Turismo Sustentável do Brejo Paraibano, Josenildo Fernandes. Participaram do painel a idealizadora do Café Quilombola, Rafaela Henriques, a compositora, cantora e empreendedora, Nalva de Rita de Chicó e a presidente da Associação das Louceiras do Quilombo do Talhado Urbano, Gileide Silva.

Outro ponto alto da culminância do festival foi a entrega da ‘Comenda Ancestral Céu do Talhado’, que já está na pauta do Conselho Estadual de Política Cultural da Paraíba (Consecult-PB), para se tornar uma proposta de decreto estadual. A honraria é destinada a mulheres quilombolas pela liderança, dedicação e compromisso com a cultura de seus povos e foi entregue para Francisca Maria da Silva (Bidia) da Comunidade Quilombola de Lagoa Rasa - Catolé do Rocha; Leonilda Coelho Tenório dos Santos (Paquinha) da Comunidade Quilombola do Grilo - Riachão do Bacamarte; Maria José Rodrigues Pereira (Maria José Louceira) do Sítio Ligeiro - Serra Branca,  Rosilda de Fátima Soares da Silva da Comunidade Quilombola Gurugi – Conde e Maria do Carmo da Silva (Maria Dudu) da Comunidade Quilombola Cruz da Menina - Dona Inês, em razão de sua ausência no festival, a comenda foi recebida por Bianca Cristina.

Durante o dia houveram apresentações artísticas com grupos de tambor, rodas de capoeira e maculelê, ciranda, desfile de moda quilombola com peças produzidas por mulheres quilombolas, lapinha, grupo de dança, coco de roda, e por fim, a Mestra das Artes da Paraíba, Mestra Edite, da Comunidade Quilombola Caiana dos Crioulos, conduziu um Cortejo Cultural até o Mirante Cruz da Menina, onde aconteceu ciranda de coco e apresentação do grupo Pífano Pôr do Sol e inauguração do Café Quilombola.

O festival também contou com a presença de parceiros institucionais como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico da Paraíba (IPHAN-PB), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária na Paraíba (INCRA-PB), Instituto Federal da Paraíba (IFPB), Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Banco do Nordeste e a presença de entidades da sociedade civil como a Associação de Apoio aos Assentados e Comunidades Afrodescendentes (AACADE), o Centro de Educação Integral Margarida Pereira da Silva (CEMAR) e a Coordenação Estadual das Comunidades Negras e Quilombolas da Paraíba (CECNEQ).