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Ressocialização
Reeducandas concluem curso profissionalizante no Júlia Maranhão
Quarenta e quatro reeducandas da Penitenciária de Reeducação Feminina Maria Júlia Maranhão receberam nesta terça-feira (2), no auditório Luis Augusto Emery, os certificados de conclusão do curso de Formação Inicial e Continuada (FIC) de Confeccionador de Bijuterias. O projeto tem participação do governo federal, Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e governo estadual, através da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap-PB) e Secretaria de Educação (SEE). “Além de trazer oportunidade a todas, há o certificado emitido pela universidade. Isso tem um peso muito maior”, garantiu a Major Nayhara Hellena Pereira Andrade, chefe de gabinete da Seap e representante do secretário Tércio Chaves na solenidade.
A certificação abrangeu duas turmas formandas em Confeccionador de Bijuterias, uma com 18 alunas e outra com 26. Com carga horária de 160 horas/aula, o curso introduziu nas reeducadas a prática profissional do fazer das chamadas biojóias, (ou ecojoias) acessórios sustentáveis feitos a partir de materiais orgânicos. “A educação é transformadora, ainda mais agregada à socialização. E como ninguém faz isso sozinho, a importância das parcerias envolvidas no projeto é fundamental”, acrescentou Eliane Aquino, Gerente Operacional de Educação para Pessoas Privadas de Liberdade da SEE-PB.
A importância da UFPB nesse processo de profissionalização das mulheres também foi valorizado por todos os presentes na solenidade. “A educação sai dos muros da universidade para levar transformação em parceria com o governo do Estado, que abraça e acolhe e que tem esse olhar humanizado para essas mulheres”, acrescentou Maria Soraia Pereira Franco, diretora do Centro Profissional e Tecnológico, responsável pelo programa EJA na UFPB.
Para a diretora da Penitenciária, Tatiana Pimentel, a meta é devolver todas as reeducandas à sociedade com certificados profissionais, facilitando a inserção no mercado de trabalho. “Acredito muito na ressocialização. E sei que todo o começo é difícil, mas tudo é possível”, disse. A Penitenciária de Reeducação Feminina Maria Júlia Maranhão conta atualmente com 260 mulheres privadas da liberdade.
João Rosas, gerente executivo de Ressocialização da Seap-PB, ponderou que as estudantes do curso já são vencedoras desde que deram o “sim” para a profissionalização. “Isso vai transformar a vida dessas mulheres. Aqui no curso elas alimentaram sonhos, conheceram empreendorismo, network e profissionalização, que será muito útil quando forem reinseridas na sociedade”.
Há um duplo desafio para essas mulheres quando estiverem de volta à sociedade. Primeiro, o fato de que estiveram reclusas e, o segundo, a falta de igualdade de gênero no mercado de trabalho. “Ser mulher no Brasil é nascer com um alvo nas costas. A igualdade de oportunidade e tratamento é algo que ainda precisamos lutar. Mas, com a qualificação, essas mulheres terão, como consequência, a possibilidade de trabalhar e se sustentar”, considerou a Major Nayhara Hellena.
Ascom/Seap-PB