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Projeto da Sedap-PB destaca o artesanato feito por agricultora de Serra Branca
A Secretaria de Estado do Desenvolvimento da Agropecuária e da Pesca (Sedap-PB) iniciou a temporada 2026 do projeto “Mulheres do Agro Antes da Porteira”, que tem por objetivo apresentar experiências e contar histórias de mulheres da zona rural que inspiram outras pessoas por suas histórias de vida e trabalho. Durante a realização da Expo Sumé, no Cariri paraibano, foi abordado o trabalho artesanal com o barro realizado por Rita de Cássia Pereira, do município de Serra Branca.
O secretário da Sedap-PB, Joaquim Hugo Vieira, ressalta a importância de trazer à tona experiências “que mostram a força e o talento de mulheres que superaram obstáculos, desenvolveram seus talentos e se tornaram exemplos para outras pessoas”. Ele acrescenta: “A ideia é continuar descobrindo e revelando histórias de mulheres talentosas e determinadas que existem em todas as regiões da Paraíba”.
A assessora de Gestão Social da Sedap-PB e idealizadora do projeto, Márcia Dornelles, lembra que “o artesanato em barro, presente na natureza de forma simples e abundante, carrega consigo uma profunda conexão com a cultura ancestral da humanidade. Mais do que um recurso material, o barro é um elemento simbólico, representando a ligação direta entre o ser humano e a terra. Ao longo das gerações, técnicas de manuseio e queima da argila foram transmitidas como herança cultural, preservando saberes tradicionais e identidades coletivas. Além disso, o barro se destaca como um material sustentável, reforçando práticas que respeitam o meio ambiente e valorizam o uso consciente dos recursos naturais”.
A história de Rita de Cássia Pereira e o artesanato de barro começa por volta dos oito anos de idade. Filha caçula de uma família de agricultores, com mais cinco irmãs, todas elas atualmente artesãs, e três irmãos, ela desde pequena via a mãe moldar o barro para vender as peças e conseguir dinheiro para ajudar o marido a criar os filhos. “Eu aprendi com a minha mãe, assim como minhas irmãs. Desde então, eu não parei. Quando fiquei mais velha fui morar em São Paulo, casei, mas sempre voltei para cá para fabricar e vender as peças”, relembra.
A artesã costuma participar de eventos do Calendário do Circuito Paraíba Agronegócios promovidos pela Sedap-PB e considera os espaços das exposições do agro como vitrine importante para apresentar suas peças, fazer mais negócios e garantir uma renda maior. “Essas feiras são importantes porque me ajudam a ter conhecimento, dialogar com as pessoas, conhecer os trabalhos dos colegas e das colegas, fazer contatos”, revela. Rita de Cássia avalia que hoje viver do artesanato é melhor e explica rapidamente porque pensa assim: “Hoje o artesanato está mais valorizado”.
O início no ofício de artesã, lembra Rita de Cássia, foi seguindo as orientações da mãe. Ela ia observando atentamente, entendendo sobre a técnica. A arte, na sua família, foi passada de geração para geração. “O artesanato é uma coisa de raiz. Vem da minha bisavó, da avó da minha mãe, que aprendeu com a avó dela. É um legado que não tem preço e a gente fazendo é como elas estivessem com a gente, é assim que a gente sente”.
Rita de Cássia relata que com o tempo foi dominando a técnica. “Aos 13 anos eu já sabia fazer peças maiores, uma tigela, uma panela, um tacho”, conta. A produção era levada para ser vendida nas feiras livres pela sua mãe. “A minha mãe ia vender a produção em Livramento, em Sumé. O meu pai era agricultor, criava animais e ajudava a minha mãe na queima do barro, arrumar a louça e levar para vender nas feiras”, revela.
O processo de produção do artesanato segue algumas etapas. O primeiro é a escolha da matéria-prima. “A preparação do barro, a gente tem que conhecer o solo. A gente observa e percebe que ali tem barro. Cava o local, retira a terra e acha veia do barro e vai escolhendo”, diz. Com a prática, o processo de moldagem foi ficando mais rápido. Com o barro molhado no ponto, uma peça média demora uns 20 minutos. Contudo, ela precisa ainda secar, tem a queima que requer destreza para evitar que o barro se deforme. Outra etapa é a do polimento feito usando pedras do tipo seixo para dar o acabamento e deixar o barro bem liso. Há, ainda, a etapa da pintura e a posterior secagem. “Vai de dois a três dias para ficar no ponto”, aponta.
Rita de Cássia diz que considera o artesanato, primeiro, como uma terapia. “Eu me sinto nas nuvens. Isso aqui é uma terapia. Quando estou fazendo uma peça esqueço de tudo, esqueço do mundo lá fora, esqueço dos problemas. O artesanato é como um remédio, um remédio para a mente, porque ajuda a você sair da depressão, da ansiedade, da tristeza”, afirma.
Casada, Rita de Cássia ensinou há cerca de três anos a técnica ao marido, que ajuda na produção criando peças em formato de animais. “Hoje ele é um artesão também e segue para os eventos comigo”.